O que fazer com seu animal de estimação nos feriados de fim de ano? O Chateau Poochie, um hotel recém-inaugurado em Miami, na Flórida, com o orgulhoso título de o lugar mais caro do mundo para hospedar bichos, tem sugestões espantosas. Os apartamentos de luxo são do tamanho dos usados por humanos, mas com camas um pouco menores. Estas, por sinal, têm design assinado e lençóis customizados. As amenidades incluem televisão de plasma, massagem numa sala decorada em estilo chinês modernizado, serviço de manicure e refeições preparadas por um chef de cozinha. As diárias variam entre 45 e 185 dólares – 330 reais, mais do que muito bípede brasileiro paga para se hospedar em Miami. Os donos podem amenizar a dor da culpa da separação despendendo mais dinheiro ainda na butique com roupinhas importadas ou no serviço de limusine. A distância, possivelmente entre lágrimas, acompanharão por webcam as peripécias do totó. "A idéia surgiu porque nunca achávamos um hotel que tivesse o luxo a que nossos cães estavam acostumados", contou a VEJA a proprietária, Amy Jo Birkenes, dona de quatro mimados bichinhos. "É um lugar para pessoas de bom gosto que se preocupam com seus animais de estimação e querem que eles sejam tratados da melhor forma possível." As quinze suítes do hotel – a tradução aproximada de seu nome seria o Castelo dos Lulus – têm nome de pedras preciosas. No alojamento dos gatos, uma enorme tela de plasma mostra cenas com peixinhos de aquário. As refeições "holísticas", o que quer que isso signifique, incluem lombo, salmão e pratos de frutas e verduras. "É melhor do que o cardápio de muita gente", orgulha-se Amy. Na festa de inauguração, no início do mês, bichinhos vips desfilaram coleiras de brilhantes de 120.000 dólares.
Prover alojamento decente para animais enquanto seus donos viajam atende a uma necessidade real, mas separar humanos incautos de seu dinheiro exige certa imaginação. O mercado de produtos e serviços para pets, que movimentou 38,5 bilhões de dólares em 2006 nos Estados Unidos, encontrou na Flórida, com sua população de aposentados bem de vida, o seu paraíso. Em Key West, existe um clube destinado especificamente a abrigar os associados em caso de furacão e catástrofes afins. No Country Inn Pet Resort, da veterinária brasileira Monica Silva, a suíte vip (um quartinho coberto e mobiliado) conta com DVDs de Lassie e A Dama e o Vagabundo e um canal de notícias. A diária não é astronômica (40 a 60 dólares), mas mordomias são cobradas à parte: massagem (25 dólares), acupuntura (50 dólares) e consulta de medicina holística (100 dólares). Está lotado para as festas. "Para os americanos, mesmo os que têm muito dinheiro, sai caro contratar alguém para cuidar dos animais quando viajam", explica Monica. "No Brasil, é mais complicado fazer algo luxuoso. Quem tem dinheiro para pagar um serviço tão diferenciado também tem caseiro ou empregada com quem deixar o cachorro."
A solução "doméstica" brasileira em princípio é menos traumatizante para os animais, que costumam detestar mudar de ambiente e ficar longe dos donos. Os hoteizinhos vêm num segundo e distante lugar. De acordo com o veterinário e consultor Sergio Lobato, o número desse tipo de estabelecimento cresceu 25% a 30% nos últimos cinco anos. Embora ainda predominem os canis com cubículos cercados por grades, bichinhos finos já contam com algumas opções no seu nível. No Cãotry Club, em São Paulo (diárias de 36 a 50 reais), os hóspedes do spa têm esteira aquática, piscina, ofurô e massagem. "Antes, quando as pessoas viajavam, pediam para o vizinho jogar um pouco de ração por cima do muro. Agora, os pets são membros da família", resume o proprietário, Carlos Alberto Marcondes, que notou um crescimento de 40% no movimento. Na Vila dos Cães, em Alphaville, próximo a São Paulo, com diárias entre 45 e 65 reais, a conta sobe bastante se incluir os extras: banho de ofurô (média de 45 reais), hidromassagem (55 reais), hidratação e tintura de pêlos (entre 20 e 40 reais). A bagagem, porém, é limitada a mais ou menos seis itens. "Tinha cachorro que chegava aqui com três malas para passar o fim de semana", diz a dona, Cristina Teixeira Gonçalves.